sábado, 26 de abril de 2014

Monólogo às 04 a.m

Não parece nada comigo.
Ser o rejeitado do triângulo amoroso. O que eu fiz exatamente de tão ruim na minha vida pra merecer isso?
O.k. Namorei uma menina dos meus 16 aos 24 anos e quando finalmente decidi dar um passo na nossa relação ela estava com outro cara. E então por mais que eu tente evitar e por mais que seja babaca, fiquei um pouco pra baixo por causa disso.
E decidi afogar minhas mágoas do jeito mais convencional possível.
E de repente no meio daquela coisa terrível surgiu uma coisinha desse tamanho agarrada em si própria andando descalça e resmungando sozinha. Era doloroso e ao mesmo tempo interessante de assistir. Você é interessante.
Você é fascinante
Aposto que ele nunca notou isso em você.
E mesmo tendo 1,50m e sendo com isso uma anã, não teve medo e ajudou alguém que nem conhecia.
Eu não me arrependo de ter bebido tanto aquela noite.
Acho que é meio obvio o porquê.
E quando talvez pudesse ter sido o final da nossa história, alguém me ligou, como se já soubesse como cutucar a ferida.
Um cachorro. Ligar pro cara desconhecido. Como você chegou a essa conclusão? Você é algum tipo de adivinha?
E o pior: Como eu aceitei te ajudar?
Talvez fosse porque eu queria que ela visse a coisinha adorável que você é quando não esta xiando e resmungando por aí.
E ela viu.
Ela ligou.
Ela perguntou.
Ela quis voltar.
Mas apesar de saber que você me mandaria perdoa-la. Eu não perdoei.
Sabe por quê?
Porque eu não sou perfeito e porque eu gosto de vingança.
Faria pior com o seu namoradinho se eu tivesse a chance.
Você é tão pequena que não cabe rancor em você.
Você cabe na palma da minha mão. É tão fácil de entender e tão parecida comigo.
Acho que foi por isso que me apaixonei por você. Por que eu consigo te entender e consigo ver que tudo o que você faz eu faria também. Ta bom, talvez tenha sido por que eu não tenho critérios muito altos.
Mas não importa se um dia eu vou ser correspondido ou não. Eu abro mão de você se você acordar agora e começar a reclamar.
Eu prometo não encostar em ninguém que te magoe pro resto da minha vida se você acordar agora.
Por favor, acorda.
M.L

domingo, 20 de abril de 2014

Sobre a Síndrome de Páris

Nota: Veja bem, não é Síndrome de PARÍS. E sim, de Páris.
Quem é Páris? Páris é ninguém menos do que um Conde da peça de Shakespeare, "Romeu e Julieta". Pretendente da moça e que obviamente, não fica com ela. Páris é o segundo cara, o que me leva a entender que ele foi o primeiro "cara errado" por qual eu gostei na vida. Sim, não gosto do Romeu, o drama dele não me afeta.
Se bem que se eu fosse autora deste drama ele não teria a menor graça pois acabaria no primeiro capítulo com Páris e Julieta se casando e Romeu sendo traído e atraído para sempre por Rosalina ou seja-lá-por-quem-ele-acha-que-se-apaixona.

Mas Páris explica bem a minha fixação por "caras errados". Eu sou tão a favor do cara que não ganha a mocinha, que eu já criei até explicações coerentes pra isso:

1) O ator que interpreta o cara errado é sempre melhor do que o mocinho.
2) Eles têm sempre aquele sorriso de quem está aprontando alguma coisa.
3) Eles me atraem por não serem exatamente o modelinho de cara perfeito que está sempre lá pra te ajudar. (Geralmente, se é meu tipo preferido de cara errado, eles sempre estão, mas não demonstram.)
4) Eles têm sempre uma frase irônica na ponta da língua.
5) Sempre acho que o amor que o cara errado tem pela mocinha é maior e mais verdadeiro do que o do "cara certo".
6) Na maioria das vezes a personalidade dos caras errados são o meu tipo de personalidade preferida.
7) Eles não fazem de tudo para que a mocinha - se no caso do meu tipo favorito de cara errado, ele gostar da mocinha - sempre esteja segura sem um arranhão, presa em casa, dentro do quarto sem contato com o mundo. Normalmente, eles são mais confiantes e gostam de encrenca.

E por fim, meu coração sempre acaba despedaçado no final da história. O cara errado não fica com quem ele gosta, eu começo a odiar o casal principal e só termino de assistir o que quer que seja pela esperança de que alguém melhor do que a mocinha vai chegar e salvar o final da história.

Eu seria uma escritora bem babaca se não acreditasse nisso.

JRS