sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ane.

Ane, tadinha, não entendia muito dessa coisa de contextualização.
Ane, tadinha, era tão frustrada que vivia a beira da própria ignorância.
Ane, tadinha, tinha tudo que queria, mas não gostava de nada.
Ane, tadinha, lia tudo, devorava tudo, mas não escrevia nada, não.
Ane, tadinha, era tão bonitinha, com corpinho de sereia.
Ane, tadinha, achava que tudo girava ao redor dela.
Ane, tadinha, era toda metalinguística, tentava se explicar, usando-se de exemplo.
Ane, tadinha, coitadinha da Ane, não sabia nada de interpretação de texto.

JRS



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Te coloquei num pedestal.

Me esgueirando fui depressa me esconder de baixo do braço de quem sempre me protege.
Eu não sei se tenho medo de um dia me perder na fortaleza em que me sinto quando fico perto dele.
Meus dedos são tão curtos, minha mão é tão pequena e ainda assim eu faço um estrago gigantesco quando passo por aqui.
E ele é tão maior que eu, tão mais forte que eu, e ainda assim vulnerável a toda e qualquer ferida que eu possa causar.
Eu me lembro, de setembro, e de tudo o que veio depois.
Nunca havia colocado ninguém antes do andar mais alto, experimentei você.
Agora não quer mais descer.
E é só isso que importa.
Só isso.

Mas há sempre um ponto final.

JRS