sexta-feira, 15 de junho de 2012

é bom ver você de novo.



s-i-o-d

Não adianta nada pensarem que com todo o desenvolvimento dessa tragédia, eu ficaria mal. Vou contar pra vocês, o que já havia contado antes. Eu não sou de sofrer, mesmo.
Então, Gabriel pode se casar, quantas vezes ele quiser, mas eu me nego a sentir qualquer coisa em relação a isso. E o pior de estar falando que eu vou me negar a sentir, é saber que eu nem preciso chegar a tanto.
Eu levantei da cama, querendo me lembrar como eu tinha conseguido dormir na noite anterior, aí eu me lembrei que nada atrapalha o meu soninho e fiquei bem. Fui tomar banho e colocar uma roupa confortável, eu dormi de calça jeans e minhas pernas estavam se sentindo mal.
Desci pra comer alguma coisa e falar “bom dia” pra minha mãe, mas não encontrei ninguém. Provavelmente, a essa hora, todo mundo devia estar trabalhando. Então, eu fiquei sozinha com meus pensamentos e com a Melzinha, que não parava de falar. Eu não a escutei, mas tinha de admitir que aquela garota tem uma mente perversa.
    - Uma mente dentro de uma mente. - Pensei. - Que estranho.
Quando me dei por conta de que estava falando sozinha e que provavelmente isso se dava ao fato de que eu estava ficando maluca, resolvi fazer algo que presta, e que me acalma. Desenhar.
Não consegui desenhar nada. A minha inspiração não chegou. Não consigo desenhar com meus pensamentos desordenados desse jeito. - e com o coração despedaçado também. - Alguém dentro de minha mente acrescentou.
Eu ri.
Entenda, quando desenho algo realmente lindo, é de se suspeitar que tive um ponto de inspiração. Talvez alguma situação que me fez desenhar aquilo, algum pensamento que me veio a mente, um Dejávù. Qualquer coisa que me prendesse a atenção por mais de cinco segundos. Mas nada me prendia a atenção, minha mente não sossegava, eu estava as cegas e isso era ruim, era desse jeito que eu me desprendia de meus vínculos e as memórias de meu passado me perseguiam.
Meu celular começou a tocar. Suspirei.
    - Alô.
    - Melína? - Gabriel disse, meio rouco.
    - Quê é?
    - Tá em casa?
    - Aham.
    - Eu queria te pedir um favor.
    - Que favor?
    - Queria que você desenhasse um vestido pra mim.
Parei. Essa era a coisa mais estranha que o Gabriel já falou desde que eu o conheço. E olha que eu conheço ele há muito tempo e ele já falou coisas bem estranhas.
    - Você virou gay? - Eu meio que sussurrei.
Ele demorou um pouco pra responder e quando finalmente o fez:
    - Não um vestido pra mim Melína, um vestido de noiva, pra minha noiva.
Nota número 1: Eu preferia mil vezes que ele tivesse virado gay.
Nota número 2: Era assim que ele pretendia me contar sobre o casamento?
Sabe, eu não demorei nem dois segundos pra responder ele. Eu não sei se vocês já perceberam isso, mas em nossa mente não existe tempo. Você demora dois segundos na vida real, mas na sua mente, analisa minuciosamente todos os detalhes. Assim como na vida real, pode-se demorar anos, mas na sua mente, só durou dois segundos. Nesses dois segundos que eu demorei pra respondê-lo, eu pensei: Quê diabos essa mulher queria comigo? Ela não gosta de mim. Eu não gosto dela. Eu tenho certeza que ela preferiria casar vestida de vaqueira do que com algo que eu criei... então, o quê será que tá acontecendo aqui?
Eu me conheço bem o bastante pra saber o que eu respondi.
- Tá, eu faço. Mas eu tenho que conversar com ela. Ela que decide como ela vai querer.

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Ass: Julia Siqueira