domingo, 26 de fevereiro de 2012

Era tarde da noite, e o bebê chorou.

- Nelly, você está sozinha?

- Estou, sim – Respondi.
Ela entrou e aproximou-se da lareira. Supondo que fosse dizer algo, levantei a cabeça para olhá-la. A sua expressão era de preucupação e ansiedade. Tinha os lábios semi-abertos, como se fosse dizer alguma coisa, mas limitou-se a suspirar. Recomecei a cantar, pois não esquecera ainda o recente comportamento.
- Onde está Heathcliff? – Perguntou, interrompendo-me.
- Trabalhando na cavalariça. – Repliquei.
Ele não me contradisse; talvez tivesse adormecdo. Seguiu-se outra longa pausa, durante a qual vi uma ou duas lágrimas escorrerem pelas faces de Catherine. “Será que está arrependida da sua vergonhosa conduta?”, pensei. “Isso seria novidade; mas não vou ajudá-la, ela que se arranja!” Enganava-me: ela não se preucupava senão com os seus próprios problemas.
- Oh, meu Deus! – Exclamou, finalmente. – Sinto-me tão infeliz!
- Que pena! – Observei. – Mas você é mesmo difícil de contentar: tem tantos amigos e poucas preocupações, e nem assim se sente satisfeita.
- Nelly, será que você é capaz de guardar um segredo? – continuou ela, ajoelhando-se ao meu lado e erguendo para mim os seus belos olhos, que tinham a propriedade de acabar com qualquer ressentimento, mesmo que fosse absolutamente legítimo.
- É um segredo que vale a pena guardar? – Perguntei, com voz menos seca.
- É, e está me preocupando, preciso desabafar! Quero saber o que devo fazer. O caso é o seguinte: Edgar Linton pediu-me hoje em casamento, e eu lhe dei uma resposta. Agora, antes que eu lhe diga se a resposta foi afirmativa ou negativa, diga-me qual deveria ter sido.
- Ora, Srta. Catherine, como é que eu posso saber? – retruquei. – Para dizer a verdade, depois da cena que fez na presença dele, esta tarde, acho que seria acertado recusar-lhe a proposta; se ele a pediu em casamento depois daquilo, deve ser ou completamente estúpido ou insensato.
- Se você falar assim não lhe conto mais nada. – replicou ela em tom caprichoso, pondo-se de pé. – Respondi que sim, Nelly. Agora, diga depressa se eu errei!
- Você já lhe respondeu que sim? Então, pra que discutir o assunto? Você já deu sua palavra, não pode mais voltar atrás.
- Mas diga se eu fiz bem… Diga! – Exclamou ela, já irritada, esfregando as mãos e franzindo a testa.
- Há muitas coisas a considerar antes de se poder responder a essa pergunta – respondi. – Antes de mais nada, você ama o Sr. Edgar?
- Como poderia deixar de amar? Claro que amo – Respondeu.
Resolvi passá-la, então, por uma espécie de interrogatório, o que, para uma moça de vinte e dois anos, não deixava de ser razoável.
- Por que é que o ama, Srta. Cathy?
- Ora, porque sim… e isso basta.
- Absolutamente; você precisa dizer por quê.
- Bem, porque ele é belo e uma companhia muito agradável.
- Mau! – exclamei.
- E porque ele é jovem e alegre.
- Mau, outra vez.
- E porque ele me ama.
- Isso não interessa.
- E porque ele vai ser rico, e eu serei a mulher mais importante destas bandas e sentirei orgulho em tê-lo por marido.
- Pior ainda. Agora, diga-me, de que maneira você o ama?
- Como todo o mundo… oh, você parece boba, Nelly.
- Não sou não. Responda.
- Bem, amo o chão que ele pisa e o ar que o rodeia e tudo quanto ele toca e tudo o que ele diz. Gosta da figura dele e de todas as suas ações; gosto dele todo. Pronto!
- E por quê?
- Não, você está coçoando de mim, e isso é de muito mau gosto. Para mim não é brincadeira! – exclamou a jovem, franzindo o sobrolho e voltando o rosto para o fogo.
- Não estou caçoando Srta. Catherine. – repliquei. – Você ama o Sr. Edgar porque ele é belo, jovem, alegre, rico e a ama. Essa última razão não interessa: você o amaria mesmo que ele não a amasse. Acho eu; mas não o amaria se ele não possuísse as outras quatro atrações.
- Não, claro que não; apenas teria dó dele… ou o detestaria, se ele fosse feio e pateta.
- Mas há muitos outros jovens belos e ricos no mundo; até mais belos e mais ricos do que ele. Por que você não haveria de amá-los?

(…)

- Aqui! e aqui! – respondeu Catherine, batendo com uma mão na testa e a outra no peito. – Onde quer que a alma resida. No fundo da minha alma e do meu coração, estou convencida de estar errada!
- Isso é muito estranho! Não entendo!
- É esse o meu segredo. Mas, se você não caçoar de mim, eu lhe explicarei. Não posso fazê-lo muito bem. Apenas vou dar-lhe uma ideia do que eu sinto.
Sentou-se novamente a meu lado. O seu rosto tornou-se mais triste e mais grave ainda, e as suas mãos tremiam.
- Nelly, você nunca tem sonhos esquisitos? – perguntou de repente, após alguns minutos de reflexão.
- Tenho, de vez em quando. – repondi.
- Eu também. Já tive sonhos que nunca consegui esquecer e que mudaram a minha mandeira de pensar: alteraram a cor da minha mente, assim como o vinho altera a cor da água. Vou lhe contar um desses sonhos… mas tenha cuidado de não rir.
- Oh, por favor, Srta. Catherine! – exclamei. – Para que conjurar fantasmas e visões? Vamos, seja alegre como costuma ser. Olhe para o pequenino Hareton! Ele não está sonhando sonhos esquisitos. Veja como ele sorri docemente!
- Sim, e com o pai dele pragueja! Entretanto, você deve se lembrar dele mais ou menos assim: quase tão pequeno e tão inocente. De qualquer mandeira Nelly, vou abrigá-la a escutar o meu sonho. Não é comprido, e eu não posso estar alegre esta noite.
- Não quero ouvir, não quero ouvir! – repeti.
Eu era supersticiosa a respeito de sonhos, e ainda sou. Catherine tinha, naquela noite, um aspecto sombrio e nada comum, que me fazia temer e profetizar algo terrível. Ficou irritada comigo, mas não insistiu. Aparentemente mudando de assunto, continuou:
- Se eu estivesse no céu, Nelly, sentir-me-ia muito mal.
- É porque você não o merece. – respondi. – Todos os pecadores se sentiriam mal no céu.
- Mas não é por isso. Uma vez sonhei que estava lá.
Ela riu e segurou-me, pois fiz menção de me levantar,
- Não é nada – disse ela. – Só lhe ia contar que para mim não parecia o céu e que eu chorava desesperadamente, querendo voltar para a terra. Os anjos ficavam tão zangados comigo, que me jogaram bem em cima do Morro dos Ventos Uivantes, onde eu acordei soluçando de alegria. Isso me servirá para explicar o meu segredo. Não tenho mais razão para casar com Edgar Linton do que para estar no céu e, se esse homem perverso que é o meu irmão não tivesse feito Heathcliff descer tanto, eu nem teria pensado nisso. Por isso ele nunca há de saber o quanto o amo: e não porque ele seja belo, Nelly, mas por ele ser mais do que eu própria. Não sei de que são feitas as nossas almas, mas elas são iguais. (…)
- Qual seria o sentido de eu ter sido criada, se estivesse contida apenas em mim mesma? Os grandes desgostos que tive foram os desgostos de Heathcliff, e eu senti cada um deles desde o início: o que me faz viver é ele. Se tudo o mais acabasse e ele permanecesse, eu continuaria a existir; e, se tudo o mais permanecesse e ele fosse aniquilado, eu não me sentiria mais parte do universo.

Catherine, afirmando pela primeira e última vez que ama Heathcliff –uma pena, ele ter escutado.- (O Morro Dos Ventos Uivantes.)


“Esses não tem medo de nada. Juntos seriam capazes de desafiar Satã e todas as suas legiões de demônios.”

JRS



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dear D.

Primeiramente, esse post é completamente inútil. Eu demorei meia hora pra fazer esse "Dear D" aí em cima e eu nem ao menos sei pra quê. Mas tá tudo certo, decidi que sempre quando aparecer esse "Dear D" em algum post, BOOOOM, sou eu atualizando meus próprios dados. (Eu achei isso num diário, de quando eu tinha 11 anos. Estou me copiando.)
1) Nome: Eu acho que sempre vai ser Julia, né?!
2) Idade: Dezesseis. Mentalidade: Dois anos e meio.
3) Apelidos: Ju, Jubs e chata.
4) Data de nascimento: 23/04
5) Cor preferida: Gosto de todas, mas em particular a verde.
6) Música preferida: Várias.
7) Cantor(a) preferido: Priscilla Leone (Pitty)
8) Ator/Atriz preferido: Heath Ledger e Julia Stiles.
9) Filme preferido: A cada semana mais um entra na lista.
10) O quê você quer fazer da vida: Me formar em psicologia e ter tempo - e paciência! - para escrever digamos que o quê eu quiser.
11) Pessoas odiáveis: Não odeio ninguém.
12) Pessoas amáveis: Muitas pessoas...
13) Manias: Comer batata-palha em todas as refeições. Lavar a louça com os dedos dos pés virados. Morder por dentro das bochechas. Esquecer de pôr meu celular pra carregar. Sempre ter que mudar meu cabelo. Trocar de canal e não parar em nenhum. Pintar as unhas e tirar o esmalte cinco segundos depois. Comer frango com pão. Dormir sempre coberta.
13) Coisas difíceis de fazer: Aprender matemática sem ter de me esforçar bastante.
14) Coisas fáceis de fazer: Macarrão e escrever.
15) O quê você é mas não gosta de ser: Boba.
16) O que você não é mas gostaria de ser: Compreensiva.
17) Coisas que te deixam feliz: Meus irmãos, minhas músicas, meus textos, Matheus Henrique, Meus amigos, comida boa, meu tumblr, meu blog, minhas unhas quando estão grandes.
18) Coisas que te deixam triste: Brigar com quem eu gosto.
19) Palavra favorita em português: Tulipa.
20) Palavra favorita em inglês: knees.
21) Palavra favorita em francês: Moue.
22) Coisa que mais gosta em si mesma: Fingir bem demais.
23) Coisa que mais odeia em si mesma: Não saber levar na brincadeira.
Uma frase: "Querer e Poder são duas coisas completamente diferentes."


JRS

domingo, 19 de fevereiro de 2012

João e o pé de feijão.

Sempre posto textos a ver com meus personagens, com músicas, temas já conhecidos por mim ou qualquer outra coisa desse tipo. Mas hoje será diferente.
Há uns bons 16 dias não posto nada aqui. E não é por falta de tempo. É somente porque não escrevi nada que é merecedor de estar aqui, nesse blog, que por tantas coisas já passou e continua de pé.
Ontem, dia dezoito de fevereiro, recebi um comentário de uma pessoa muito simpática - e que adorei - e pensei. Achei o que estava procurando, o "merecedor" de um post.
O que eu sempre sonhei, é que em algum dia, alguém achasse esse blog e gostasse tanto dele assim como eu gosto, não sei se é o caso, mas já é pra me fazer bem feliz.
Então, João, obrigada por achar meu blog sem querer e obrigada por ler o que escrevo e obrigada por comentar e me deixar feliz. Você alegrou meu dia, trouxe as cores nesse domingo meio cinza.
E é bom assim não é? Quando é pelo destino. Quando não se sabe o nome, nem a idade, o que faz da vida, o porquê de ter chego aqui. Eu gosto assim, do inusitado.
E é verdade, o mundo não acabou no dia 17 de julho de 2011, mas eu continuei dançando, e continuo até hoje, de um jeito estranho, do meu jeito. Mas é assim que tem que ser.
E pra você, tudo o que eu aprendi a desejar sinceramente pra todas as pessoas que eu acho que merecem e que conseguem isso: Seja feliz.

"O mundo acaba hoje, eu estarei dançando..."
JRS

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Carta pra tua paixão.

Oi amor. Tudo bom? Eu realmente espero que sim. Bom, eu não sei se um dia você virá a ler essa carta. Ou se ela vai ficar aqui, esquecida como tantos outros rascunhos, num blog dessa menina vira-lata, sem rumo. Não sei realmente com que meios você vai chegar até ela, mas eu sou esperta, eu vou descobrir.

O que é amor, afinal? Responda. Ainda mais pra mim, que não sei ser nada direito. Sou ruim em muitas coisas e ótima em poucas... Amor é quando a gente sente necessidade de sentir alguma coisa? Ou quando de uma hora pra outra, a gente sente? Amor é quando você se agonia por não saber o que eu estou pensando, ou quando você simplesmente me desvenda? Deveríamos saber, deveríamos conhecer?

Eu sou errônea e obsoleta, eu não sei servir ao amor. Eu nunca nem ao menos cheguei perto disso. E tu me desvendas, querido. Sem nem perceber. Apesar de todas as circunstâncias que me levaram a ser hoje quem sou, não me abomino completamente. Tenho você.

Então responda as minhas perguntas sobre ti e sobre mim, e talvez eu possa virar um mais nós e menos eu, que seríamos juntos bem melhor que separados. Que aí, eu hei de parar com esse maldito eu que me domina. Paixão que alisa e que acalma.

De coração pra coração.

Je dis tout ça en faisant la moue. Je dis tout ça tendrement.

JRS